quinta-feira, 5 de julho de 2012

A ABORDAGEM ORALISTA EM PESSOAS SURDAS


 

A fala sempre foi e é, em geral, o objetivo dos pais ouvintes em relação aos filhos surdos. Os surdos adultos que participam de uma abordagem oralista desde o seu nascimento também defendem essa ideia.

A fala é considerada a língua legítima, e a abordagem oralista dá aos pais exatamente aquilo que buscam: fala. Vale ressaltar ainda o peso que tem a fonoaudiologia para os pais logo após a descoberta da surdez. A fonoaudiologia ocupa um papel de saber, um saber ciêntífico que determina o que deve ou não ser feito para a criança.

Os fonoaudiólogos que trabalham visando à aquisição da linguagem oral pelo surdo, e não a da língua de sinais, têm sido chamados de oralistas. Esses profissionais baseiam seu trabalho em uma abordagem que privilegia a fala em detrimento de outros sistemas de significação.

A abordagem oralista tem como objetivos a aquisição da linguagem oral e a "facilitação" da integração social do surdo. (...) O objetivo é auxiliar as crianças a usar sua audição residual e a crescer aprendendo a ouvir e a falar de forma que aumente seus conhecimentos e suas experiências de vida para se tornar pessoas "integradas" e participantes da sociedade em geral. Essa proposta baseia-se no resultado de pesquisas audiológicas que afirmam que mais de 95% das crianças deficientes auditivas apresentam audição residual em algum grau. Por isso, acredita-se que deve ser dada a essas crianças a oportunidade de desenvolver os resíduos, fazendo que utilizem a audição que têm, por menor que seja. Todas elas devem ter algum tipo de estimulação auditiva, já que a audição, como canal sensorial, é de fundamental importância para o desenvolvimento da comunicação oral.

A criança copia as produções do outro tomando-as como próprias e falando. Tem-se, então, uma linguagem pronta, que precisa ser apropriada pelos iniciantes da língua. Assim, a repetição e o estímulo são as bases dessa abordagem. Isso tem como resultado vocabulário restrito e compreensão atrelada ao sentido literal. (...) Muitos estudos sobre a linguagem na surdez, tanto oral quanto de sinais, têm se baseado nesse tipo de concepção comunicacional, que não leva em conta os complexos processos envolvidos na interação social e nas trocas dialógicas entre o surdo e o ouvinte, como se essa interação não tivesse nada que ver com a aquisição de linguagem nem tampouco com os aspectos cognitivos.

Concluindo, na obordagem oralista, a linguagem oral é a valorizada, a língua a ser adquirida. Mesmo quando a língua de sinais aparece, surge apenas como um meio para alcançar a oralidade. A língua de sinais, portanto, não é vista como importante para os surdos. Ela só é indicada quando o fonoaudiólogo percebe a dificuldade ou a impossibilidade de a criança adquirir a linguagem oral.

REFERÊNCIA:
SANTANA, Ana Paula. Surdez e linguagem: aspectos e implicações neurolinguísticas - São Paulo: Plexus, 2007.

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